Carta a Deus

Há dias felizes e dias contentes e dias irrepetíveis e este foi com toda a certeza o último. A vida nem sempre corresponde ao que pretendemos pedir para sermos ou fazermos, bem ou mal.

Saber que me resta sempre a esperança de um dia solarengo é felizmente encantadora mas nem sempre é assim, pois, como já referi, a vida nem sempre é ou se torna nalgo feliz; quem não quer ser feliz?

Toda uma junção de elementos fundamentais e seus acessórios são imprescindíveis ao crescimento de uma felicidade saudável e eu sei bem que nem tudo numa sandes é recheio nem tudo é pão. Os dois complementam-se um ao outro para formar o que chamamos de sandes.
Os objectivos não dispensam quem nos conduza e aí, obrigado, pois é certo que me tenho tornado na pessoa que mais ambicionava ser, na infância. Uma pessoa como eu e mais ninguém, que sou assim com o que tenho e não com o que não tenho ou com o que vou ter. Feliz.

Também sou seguro de que não há mudança sem loucura momentânea ou mesmo… temporariamente irreversível ou parte disso pelo menos.

Existe inferno? Existe o quê? Somos diferentes? Há algo de errado? Porque sou assim e não de outra maneira? Porque sou como sou e não há nada de errado em mim.

Que desvaneios me causam as desigualdades e perdas de controlo porque aprendi a defender-me a mim próprio nas alturas difíceis, e esta folha que outrora estava em branco, está metade escrita e metade vazia. A criança que outrora era de seda é agora de um aço de lustro e resistência invejável. Os olhos que antes fervorosamente reagiam, já têm a tua resistência e perseverança. Falta-me coragem e falta-me a força que preciso mesmo de ter, mas não em demasia, pois envenenaria a minha condição dificilmente conquistada.

Espero fazer o que está certo e fazer um mínimo do que é errado; a felicidade terrena que conheço é assim. Metade escrita e metade em branco, vazia, deixando a desejar. Mas… mas eu tento e não consigo fazer isso.

Tudo de mau e bom em mim é único e isso torna-se indestrutível. Ou quase… Até agora tem sido assim.

Espero e desejo continuar neste caminho – obrigado – e continua a conhecer-me assim como continuo a entrar em caminhos cada vez mais fantásticos e saturados de sensações e cheios de palavras e a folha que estava metade escrita e metade vazia está agora completa e pronta a recordar.

7/11/2010

Comments

4 Responses to "Carta a Deus"

Anónimo disse... 8 de novembro de 2010 às 13:26

Texto Lindo... magnifico...
Todos deviam ler...

Parabéns ao escritor

Miguel disse... 8 de novembro de 2010 às 13:27

@Anónimo

:)*

pinguim disse... 16 de novembro de 2010 às 15:08

Surpreendentemente maravilhoso ( e digo surpreendentemente, por ser inesperado).
Parabéns.

Cisco disse... 17 de novembro de 2010 às 17:33

@pinguim
Obrigado! :)
Abraço :D

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